José Alfinyahu: Fé em Movimento: O Mistério do Tigre e da Raposa

Fé em Movimento: O Mistério do Tigre e da Raposa


  Uma reflexão sobre a verdadeira fé ativa e o chamado para servir.

O perigo da passividade espiritual e o poder da caridade.

Por José Alfinyahu

 "Mas dirá alguém: Tu tens a fé, e eu tenho as obras; mostra-me a tua fé sem as tuas obras, e eu te mostrarei a minha fé pelas minhas obras." (Tiago 2:18)


O TIGRE E A RAPOSA

Nas profundezas de uma floresta escura e espessa, onde as árvores guardavam segredos milenares e o nevoeiro dançava como véus que escondem mistérios, vivia uma velha raposa astuta. Há anos que ela perdeu a pata dianteira numa armadilha humana. Surpreendentemente sobreviveu contra todas as probabilidades, movendo-se silenciosamente entre raízes retorcidas e sombras das árvores. Ninguém sabia como: uma força oculta o sustentava na escuridão?

Um homem, que habitava na beira daquela selva misteriosa observava a raposa de vez em quando. Intrigado, perguntou-se silenciosamente: "Como é que esta raposa consegue se alimentar? Será que Deus, na sua infinita providência, lhe envia sustento de maneiras invisíveis e milagrosas?"

Numa tarde nebulosa, o homem escondeu-se atrás de um tronco centenário e viu a raposa espreitar cautelosa da sua toca. E, de repente, um rugido abalou a selva: um tigre feroz emergiu das sombras, com uma presa fresca ainda sangrante nas suas mandíbulas. O homem segurou a respiração, temendo o pior para a raposa. Mas o tigre, num ato enigmático, devorou sua caça permitindo que a raposa se aproximasse e tomasse os restos suculentos, como se uma lei oculta da natureza ditasse essa generosidade inesperada.

No dia seguinte, em meditação profunda, o homem refletiu: "Se O Eterno envia o tigre para sustentar a raposa deficiente, por que não poderia eu, esperar quietude meu sustento divino? Eu valho mais do que um animal; Ele cuidará de mim".

Com fé ardente, abandonou seus trabalhos e retirou-se para uma caverna escura na cidade próxima, esperando pelo milagre.

Passaram dias de jejum involuntário e sede. Seu corpo enfraqueceu em apenas 3 dias e removeu as pedras molhadas em busca de alguma água na caverna, sua força desvaneceu até se tornar uma sombra fina de si mesmo. À beira do apagão, na escuridão da sua agonia, uma voz ressoou como um trovão:

"Oh, meu filho! Você confundiu o caminho inicial. Abra os olhos para a verdade: você deveria ter imitado o tigre, o fornecedor ativo, não a raposa que espera passiva".

Acordado por essa revelação, o homem voltou para sua casa, comeu e recuperou as forças. Mas um ressentimento o acompanhava. Dias depois, nas ruas, viu um menino órfão e sua mãe viúva tremendo ambos de frio, faminto e sem esperança. A raiva invadiu-o e elevou a sua voz ao céu: "Por que permites isto, Eterno Criador dos Mundos? Por que você não intervém?"

O silêncio divino durou até a noite, quando uma voz serena, respondeu: "Eu certamente agi, meu filho. Criei você para ser o tigre: aquele que fornece, aquele que age com virtude e fraternidade".

Reflexão e Moral da Parábola

Desde então, o homem dedicou sua vida a obras de caridade, compreendendo que a verdadeira fé não é espera passiva, mas ação iluminada: ser instrumento do Eterno Criador.

Esta parábola ressoa com ensinamentos de "fé ativa" (trabalho interior e exterior), semelhante à transição de criatura (purificação passiva) para filho de Deus (ação construtiva). Em um mundo de passividade digital, ela nos lembra que a luz se manifesta por esforço fraternal.

 * O Tigre: Representa alegoricamente a providência divina em ação. Ele caça (trabalha ativamente) e providencia a sobrevivência de quem não pode. Encarna o fornecedor forte e generoso.

 * A Raposa: Simboliza aquele que recebe passivamente devido às suas limitações.

A moral é que Deus Eterno Pai cuida e protege, mas através de instrumentos ativos. O homem do conto mal interpretou: imitou a raposa e quase morreu. A voz reveladora o corrige: "Seja o tigre! Aja, providencie, seja canal do bem".

Não é caridade animal; é uma alegoria de fé ativa vs. passividade ilusória. A Bíblia ensina que a graça divina flui através de esforço consciente e generosidade, não uma espera mágica.

 "Mostre-me sua fé sem obras, eu te mostrarei a minha fé pelas minhas obras." (Tg 2:18)

Este conto ressoa perfeitamente com os ensinamentos de Jesus Cristo: "Amar o próximo como a si mesmo" (Mateus 22:37).

Seja o tigre: seja benção para "raposas" carentes!

Seu amigo e irmão,

José Alfinyahu

Que sua vida seja abençoada em nome de Jesus Cristo!



Sobre o Autor


Prof. Dr. José Alfinyahu é Psicoterapeuta, Teólogo e um dos autores mais prolíficos da atualidade, com uma marca impressionante de 60 livros publicados. Especialista em Psicoteologia, sua carreira é dedicada a investigar a complexa interseção entre a neurociência, a saúde mental e a espiritualidade bíblica.

Com uma abordagem equilibrada e fundamentada, o Prof. Alfinyahu tornou-se uma voz de referência para pastores, líderes e profissionais de saúde que buscam entender o ser humano em sua totalidade: corpo, alma e espírito. Sua obra mais celebrada, "A Esquizofrenia e a Opressão Espiritual", é hoje um guia essencial para o discernimento espiritual e clínico em todo o Brasil.

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